Mythology (Andrew Motion)

Earth’s axle creaks; the year jolts on; the trees
begin to slip their brittle leaves, their flakes of rust;
and darkness takes the edge off daylight, not
because it wants to – never that. Because it must.

And you? Your life was not your own- to keep
or lose. Beside the river, swerving underground,
the future tracked you, snapping at your heels:
Diana, breathless, hunted by your own quick hounds

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coisas #1

julho 1, 2009

O Rio é violento, quente, caótico e está em guerra.

E, como em toda guerra, coisas acontecem – coisas pequenas com um peso capaz de parar tudo por alguns instantes.

§

Quando nos encontramos no meio de uma guerra, no meio de violências tão desmedidas e sem propósito, duas coisas acontecem:

1. temos que sobreviver;

2. temos que enfrentar nossos demônios.

Talvez o ítem 1 dependa radicalmente do ítem 2.

§

Experiência íntima: eu sempre vivi no Rio. 28 anos indo pra 29. Sempre tive que fazer o que fosse necessário pra sobreviver – isso do ponto de vista de um cara da classe média, ok? sei das coisas piores mas escrevo de onde estou: uma cadeira confortável na madrugada do jardim botânico. Mas sempre tive que sobreviver. E essa guerra na cidade maravilhosa – seja pessoal, social, econômica, afetiva – me trouxe muitos desencontros. Para não ser injusto, encontrei meu grupo de sobreviventes, com cicatrizes e histórias (sim, com H) de guerras muito parecidas.

§

Há pouco tempo parece que essa guerra finalmente me trouxe um encontro. Num dia inusitado, por causa de uma música desconhecida, fui parar num antigo bordel em Laranjeiras, numa festa também inusitada.  E, culpa da ausência de isqueiro, tudo mudou – ou tudo está mudando.

Sobreviver é uma espécie de arte: você aprende aos poucos, descobre os lugares onde se esconder, aprende em quem confiar, os lugares seguros e os falsos, enfim…  a questão é que eu tenho enfrentado os meus demônios.  São pequenas guerras violentas que deixam um cenário devastado para trás e um grupo de sobreviventes de pé.

São pequenas guerras solitárias.

Mas hoje existe alguém para cuidar dos ferimentos.

§

É um encontro pequeno numa cidade em guerra; mas é uma pausa nas minhas guerras.