As festas juninas de Santiago de Compostela aniquilam qualquer nostalgia. Sardinhas, queimada, fogueira, churrasco, música de gaita.. Uma delicia.

Na foto a nossa fogueira improvisada, numa cidade onde a prefeitura dá permissão para fazer fogo! A noite foi de fato a mais longa: teve comida, muitas bebidas, e até banho no chafariz dos peregrinos. É incrível ver como os galegos mantém as tradições.

Antes da meia-noite, escreve-se três pedidos que são jogados na fogueira. Depois da meia-noite o ritual da queimada com um conjuro para espantar as bruxas. Pura poesia o texto:

“Averno de satán e belcebú,
lume dos cadáveres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes,
peidos dos infernais cus,
muxido da mar embravecida.
Barriga inútil da muller solteira,
falar dos gatos que andan á xaneira,

guedella porca da cabra mal parida.”

fogueira_1

E uma correção: confundi caña com cachaça. Caña na verdade não é feita de cana-de-açúcar, mas de restos de vinho que produzem uma bebida transparente, igualmente forte.

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“No centro do Rio de Janeiro, bem ali no Largo da Carioca, uma arena improvisada é montada todos os domingos. As arquibancadas são feitas de caixotes de madeira e a arena em si é de terra batida com direito a uma variedade incrível de vermes e os mais diferentes formatos de cocô de cachorro.

Neste espaço, acontece o maior evento semanal da cidade, o “Olé Ninõ” (tradução livre). Logo após os jogos de futebol do Maracanã, os cariocas, que vivem em tendas sobre as árvores e que ainda não chegaram à idade do ferro, lotam os espaços para assistir aquele incrível espetáculo dos trópicos.

Funciona assim: dez crianças entre 10 e 15 anos são empurradas a chicotadas para dentro da arena. Um homem armado e com três kilos de doce espera o ataque mortal da criançada. O objetivo é não se deixar tocar por elas. Para ajudar, o tal homem pode usar os pés para afastá-las com chutes e rasteiras, mas em nenhuma hipótese pode usar as mãos, como no futebol e no futevôlei.

O baile deve durar cinco minutos contados pelo relógio histórico da praça. Terminado este tempo, o cabra deve matar as crianças, mas só pode usar uma bala por cabeça, de preferência, é claro, na cabeça. Quando um tiro é o suficiente para a tarefa, o atirador ganha as orelhas e um dedo do pé do mortinho. Se conseguir matar todas as crianças usando uma bala para cada uma delas, ganha todas as orelhas, além das mãozinhas e ainda sai carregado nos braços do povo.

Quando acaba o show, os cariocas voltam às suas tendas para comer um papagaio ou uma capivara na lenha. Depois, dançam para afastar as chuvas de janeiro e vão direto para as esteiras ou folhas de bananeira, pois amanhã a galera tem que ir pra floresta caçar. ”

Quando acabei de contar esta história, alguém disse: “Deve ser uma tradição oriunda das touradas” e perguntou: “O governo apóia esses eventos?” Deu vontade de chorar.

o frio deslocado do Rio

junho 25, 2009

mais um post meio teste.

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inverno ou quase.

não sei lidar com frio. Depois de Berlin,  jurei que nunca mais sentiria frio no Rio de Janeiro – algo como Scarlet jurando que não passaria fome… Mas está frio. é sempre assim: frio, rio; inverno, inferno… essas coisas da língua.

§

na verdade, queria ter afastado as bruxas. ou ter uma opinião sobre a queda do diploma. não sei… voltar é realmente um verbo estranho – um tricky verb, se eu posso. e uma ação mais estranha ainda. porque, me parece, que nunca se volta pelo mesmo lugar. algo meio alice.

Recebi um e-mail semana passada repleto de receitas de docinhos de São João. Cocada, bolo de milho, canjica.. Obra de uma amiga que, como se diz por aqui nessas terras de Galícia, estava me puteando. Morrendo de saudades do cheiro de broa recém-saída com café de avó, eu fui dormir nostálgica..
Mas eis que na semana passada descubro que a Festa de São João é uma das mais tradicionais por aqui. Não tem broa, mas tem sardinha, churrasco, crema de Orujo e fogueiras! E ainda quemada, uma poção feita com caña, ou cachaça em bom português, café e frutas. E que se bebe depois de ler um feitiço para espantar as bruxas.
Se voltar viva depois de beber quemada e saltar fogueira na noite de hoje, a mais curta do ano – que seguramente pode se transformar na mais longa- volto pra contar como foi.

Tríade

junho 19, 2009

E caiu o diploma e a volta ao Brasil e os medos do passado.

Não que o passado assombre, mas o medo de voltar ao ponto onde comecei meu presente. Que cansaço ter que pensar tudo de novo.

E a volta ao Brasil? O problema não é o país, a questão está no verbo: voltar é realmente um verbo sacana. Voltar é regredir ou progredir? (só vendo Lost pra sair do senso comum).

E o diploma…no final voltou-se (olha ele aí de novo) ao que era antes. Melhor para os bons, pior para os mediocres. Para muitos jornalistas, não mudará nada, mas para os sindicatos….

Rio de Janeiro, uma e qualquer coisa da manhã. Frio.

Depois de um boteco, seis garrafas de cerveja e muitas músicas num iPod afetivo, meu quarto parece se deslocar – tudo perde propriedade durante a madrugada, dimensões e outras coisas.

§

escrever pra manter os demônios no inferno. parece isso a função. ou simplesmente pra não ter um câncer. ou pra ser lido. não importa.

início.